Sagacidade alentejana

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polícia

Um camionista espanhol parou o camião na frente da loja do ti Jerónimo, e perguntou:

– Sr. Jerónimo, tenho aqui um camião de arroz, sem documento de transporte e sem cobrar IVA.
O senhor quer?
Claro que quero!
Ti Jerónimo vira-se para o filho e diz:
– Zezinho, vai para a esquina e se aparecer o fiscal vens cá avisar!
Começam a descarregar o camião e no meio da descarga aparece o Zezinho a gritar dizendo que o fiscal vem lá.
– Pára tudo e volta a carregar, grita o ti Jerónimo!
Entretanto chega o fiscal.
– Grande venda senhor Jerónimo, diz o fiscal.
– A melhor venda que já fiz este ano, senhor fiscal; responde o ti Jerónimo..
– E essa mercadoria tem documento de transporte? questiona o fiscal.
– Ainda não tem documento de transporte porque estou a espera para ver a quantidade que leva o camião, afirma o ti Jerónimo..
– Não pode, diz o fiscal.
O documento de transporte tem de ser emitido antes de carregar!
– Ah sim?
Então pára tudo, que eu não quero problemas com a Justiça!
Descarrega tudo do camião e guarda dentro do armazém!

Lobo Mau!!!

A equidade fiscal….lição magistral ….

Era uma vez dez amigos que se reuniam todos os dias numa cervejaria para beber e a factura era sempre de 100 euros. Solidários, e aplicando a teoria da equidade fiscal, resolveram o seguinte:

o os quatro amigos mais pobres não pagariam nada, o quinto pagaria 1 euro, o sexto pagaria 3, o sétimo pagaria 7; o oitavo pagaria 12; o nono pagaria 18 e o décimo, o mais rico, pagaria 59 euros.

Satisfeitos, continuaram a juntar-se e a beber, até ao dia em que o dono da cervejaria, atendendo à fidelidade dos clientes, resolveu fazer-lhes um desconto de 20 euros, reduzindo assim a factura para 80 euros.

Como dividir os 20 euros por todos? Decidiram então continuar com a teoria da equidade fiscal, dividindo os 20 euros igualmente pelos 6 que pagavam, cabendo 3,33 euros a cada um. Depressa verificaram que o quinto e sexto amigos ainda receberiam para beber.

Gerada alguma discussão, o dono da cervejaria propôs a seguinte modalidade que começou por ser aceite:

– os cinco amigos mais pobres não pagariam nada;

– o sexto pagaria 2 euros, em vez de 3, poupança de 33%;

– o sétimo pagaria 5, em vez de 7, poupança de 28%;

– o oitavo pagaria 9, em vez de 12, poupança de 25%;

– o nono pagaria 15 euros, em vez de 18.

– o décimo, o mais rico, pagaria 49 euros, em vez de 59 euros, poupança de 16%.

Cada um dos seis ficava melhor do que antes e continuaram a beber.

No entanto, à saída da cervejaria, começaram a comparar as poupanças.

-Eu apenas poupei 1 euro, disse o sexto amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10!… Não é justo que tenhas poupado 10 vezes mais…

– E eu apenas poupei 2 euros, disse o sétimo amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10!…Não é justo que tenhas poupado
5 vezes mais!…

E os 9 em uníssono gritaram que praticamente nada pouparam com o desconto do dono da cervejaria. “Deixámo-nos explorar pelo sistema e o sistema explora os pobres”, disseram. E rodearam o amigo rico e maltrataram-no por os explorar.

No dia seguinte, o ex-amigo rico “emigrou” para outra cervejaria e não compareceu, deixando os nove amigos a beber a dose do costume.

Mas quando chegou a altura do pagamento, verificaram que só tinham 31 euros, que não dava sequer para pagar metade da factura!…

Aí está o sistema de impostos e a equidade fiscal.

Os que pagam taxas mais elevadas fartam-se e vão começar a beber noutra cervejaria, noutro país, onde a atmosfera seja mais amigável!…

David R. Kamerschen, Ph.D. -Professor of Economics, University of Georgia (tradução livre de A. Pinho Cardão)